domingo, 15 de abril de 2012

O problema da corrupção é ético, antes de ser político e económico (direto de Portugal)

O problema da corrupção é ético, antes de ser político e económico


by O. Braga

"The greater the state’s controlling role over the economy the more it, respectively those representing the state, are enabled to replace the “invisible hand” by political considerations."



via Corruption: Paralyzing Vice Or Inventive Social Self-Defense?
The Brussels Journal.



O raciocínio do escriba remete para o seguinte: quanto menos o Estado controla a economia, menos corrupção existe, porque os actos de corrupção deixam automaticamente de ser considerados “corruptos”. Ou melhor: parte-se do princípio de que os actos económicos separados do controlo do Estado são, em si mesmos, impolutos, ou incorruptos, ou, em última análise, desprovidos de moralidade [marginalismo].



Segundo o escriba, a partir do momento em que a política [o Estado] "se mete" na economia, surge a corrupção. Porém, se a política — e o Estado — se afastar da economia, o mesmo tipo de actos e de comportamentos corruptos deixam de ser corruptos, como que por um milagre da “mão invisível”. Ou seja, a corrupção é incompatível com o “laissez-faire”; numa sociedade em que o Estado não intervém na economia, a corrupção deixa de existir porque, alegadamente, o conceito de “corrupção” desaparece.



Este tipo de raciocínio é o que resulta da tentativa de explicação do comportamento humano — neste caso concreto, da corrupção — exclusivamente à luz da economia; é o mesmo tipo de raciocínio que levou Carl Menger [e os marginalistas] a afirmar o seguinte: “é tão útil a oração para o homem santo, como é útil o crime para o homem criminoso”.



Da mesma forma que um biólogo pretende explicar toda a realidade à luz do darwinismo, os economistas pretendem explicar toda a realidade à luz do “economês”. Naturalmente que tanto um como o outro “dão com os burros na água”.





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“Trabalhar para uma sociedade só é bom, se determinarmos previamente que a sociedade é constituída por homens bons.” — Max Scheler







Tuga em Bruxelas

Antes de ser económico, ou político, o problema da corrupção é ético. Quando o cidadão anónimo acredita que a sociedade é constituída por homens bons, passa também a acreditar que trabalhar para a sociedade é uma coisa boa --- e a corrupção diminui. Quando o cidadão anónimo sente ou verifica que existe uma elite desonesta que se aproveita, em beneficio exclusivamente próprio e acumulando riquezas obscenas, do trabalho da maioria — seja numa sociedade controlada pelo Estado, ou não —, então a corrupção generalizada surge como um mecanismo de sobrevivência mediante um efeito de “Trickle-down”.



Sendo o problema da corrupção, ético, tem que ser resolvido através da imposição, por parte do Estado, de uma ética — que é , por natureza, universal. Naturalmente que o Estado não deve substituir-se às comunidades da sociedade civil na imposição dessa ética universal: deve antes apoiar-se em determinadas comunidades da sociedade civil para levar a cabo uma “revolução ética” que possa determinar, a jusante, a política e a economia.



Foi o que se passou, por exemplo, com a Reforma luterana ou com o calvinismo na Suíça. Na Alemanha, a Reforma luterana não afastou o Estado da economia: pelo contrário, o Estado saiu reforçado no seu Poder por via da Reforma luterana. E no entanto, foi essa mesma ética luterana, submetida ao Estado, que marcou a cultura do norte da Europa e que permitiu o milagre económico dos séculos XIX e XX.

O. Braga
Sexta-feira, 13 Abril 2012 at 9:27 pm
Tags: marginalismo, neoliberalismo
Categorias: ética, economia, Esta gente vota
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Um comentário:

  1. Boa Tarde,

    Gostaríamos de lhe fazer uma proposta, caso tenha interesse em conhecê-la pedimos a gentileza de que entre em contato conosco pelo e-mail divulgacao@jurua.com.br.

    Atenciosamente,
    Alex Chagas
    Juruá Editora

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